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sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Pra que Filosofia?

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COLÉGIO ESTADUAL PRESIDENTE COSTA E SILVA
DISCIPLINA: FILOSOFIA
PROF.  RAYMUNDO GOUVEIA

Pra que Filosofia?
(texto adaptado para fins didáticos)
Marilena Chauí

Então, o que é Filosofia e pra que ela serve?

Uma primeira resposta à pergunta: “O que é Filosofia?” poderia ser: A decisão de não aceitarmos como óbvias e evidentes as coisas, as idéias, os fatos, as situações, os valores, os comportamentos, as crenças e as opiniões. Ou seja, a decisão de duvidarmos do Senso Comum.
Certa vez, perguntaram a um filósofo: “Pra que Filosofia?”. Ele respondeu: “Para não darmos aceitação imediata às coisas, sem maiores considerações.
A Atitude Filosófica (ou Senso Crítico)

Imaginemos alguém que tomasse a decisão de fazer perguntas inesperadas como, por exemplo, em vez de “que horas são?”, “O que é Tempo?”, ou, em vez de gritar “Mentiroso!”, questionasse-se sobre “o que é a verdade” ou “o que é a falsidade”. Ou ainda, se ao invés de exclamar: “Onde há fumaça, há fogo...”, perguntasse-se “o que é a causa?” ou “O que é o efeito?”. Se, em vez de xingar alguém de desonesto, avaliasse “o que é um valor moral”. Ou mesmo se perguntasse “O que é o desejo?”, ao invés de dizer: “Eu quero isso!”.

Em todos esses casos, essa pessoa estaria tomando distância da vida cotidiana e de si mesma. Teria passado a indagar o que são as crenças, as opiniões e os sentimentos que, silenciosamente, alimentam a nossa existência.

Ao tomar essa distância, estaria interrogando a si mesma, desejando conhecer por que cremos no que cremos, por que sentimos o que sentimos e o que são nossas crenças e nossos sentimentos. Esse alguém estaria começando a adotar o que chamamos de Atitude Filosófica ou Senso Crítico.
As duas fases da Atitude Filosófica
1ª) ATITUDE CRÍTICA
A primeira característica da atitude filosófica é negativa, isto é, um dizer não ao senso comum, aos pré-conceitos, aos pré-juizos, às crenças, opiniões e
Idéias da experiência cotidiana, ao que todo mundo diz e pensa, enfim, ao estabelecido. Por isso, o patrono da Filosofia, o grego Sócrates, afirmava que a primeira grande verdade filosófica é dizer para si mesmo: “Só sei que nada sei”. Isto mostra o quanto é importante para a Filosofia que nós nos comportemos o tempo todo como aprendizes.2ª) PENSAMENTO CRÍTICO
O segundo momento da Atitude Filosófica, o Pensamento Crítico, é positivo. Nele, nos perguntamos sobre O que são as coisas ou idéias, por que elas são como são e como é possível elas serem assim, e não de outra maneira. Ou seja, o pensamento filosófico estrutura-se através dessas 3 perguntas (O quê?, Por quê e Como?) para investigar as questões que se apresentam para nós, em nossa vida cotidiana.

- Através do “O QUÊ?” desvendamos a realidade ou natureza de qualquer coisa, idéia ou valor, ou seja, o seu conteúdo.
- Através do “POR QUÊ?” a Filosofia pergunta-se sobre a origem de algo ou pelas causas que a formaram.
- Através do “COMO?” procuramos desvendar a estrutura e as relações que constituem as coisas, idéias ou valores.
REFLEXÃO


A Atitude Filosófica inicia-se dirigindo essas indagações ao mundo que nos rodeia e às relações que mantemos com ele. Pouco a pouco, porém, descobre-se que estas questões se referem, afinal, à nossa capacidade de conhecer, à nossa capacidade de pensar.

Por isso, pouco a pouco, as perguntas da Filosofia se dirigem ao próprio pensamento: o que é pensar, como pensar, por que há o pensar? A Filosofia torna-se, então, o pensamento interrogando-se a si mesmo. Por ser uma volta que o pensamento dá sobre si mesmo, a Filosofia realiza-se como reflexão.

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As Filosofia Existencialista

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C.E.P. COSTA E SILVA
FILOSOFIA / PROF. RAYMUNDO GOUVEIA
2ª série / IV UNIDADE

AS FILOSOFIAS EXISTENCIALISTAS 

(Texto adaptado do livro: "É proibido proibir - Sartre", Fernando José de Almeida, FTD, São Paulo, 1988, p. 6-15)


O nascimento do século XX é marcado por uma infinidade de conflitos regionais que culminaram com a explosão de um novo modo de fazer guerra: a 1ª Guerra Mundial, iniciada em 1914. Nunca tantos mortos (20 milhões de soldados e civis, por bombardeios, massacres, fome ou epidemias), nunca tanta sofisticação de gases asfixiantes, metralhadoras, balas explosivas, canhões e tanques.
Em 1917 estourou a Revolução Russa, prenúncio de uma nova sociedade, radicalmente diversa da capitalista, também com milhões de mortos, deportados e mutilados.
Em 1929 a quebra da Bolsa de Valores de Nova York carregou de cores sombrias esse cenário, causando desemprego em massa, fome, extorsões e contrabandos, além de pressões econômicas das nações ricas sobre os países pobres.
Mal refeito da 1ª Guerra e dos abalos da economia, o mundo se envolveu, em 1939, numa 2ª Guerra Mundial, ainda mais destruidora e cruelmente sofisticada. Os tiros dos campos de batalha terminaram em 1945, mas o conflito ainda permaneceu aberto, pulsante como uma chaga viva.
Não contentes com os 45 milhões de mortos, os interesses das nações e de seus dirigentes inauguraram a guerra fria. O clima da guerra fria se caracterizou pelo medo generalizado diante da constante ameaça de uma guerra nuclear, acusações mútuas entre americanos e soviéticos, espionagem e contra-espionagem, perseguições ideológicas e censura às artes e ao pensamento. Mas não pense você que isto foi o fim do mundo.
Em meio aos gritos de dor, debaixo dos bombardeios e contando com recursos de milhões de dólares, a ciência e a tecnologia se desenvolveram espantosamente. Dia e noite trabalhavam para (além de artefatos bélicos) produzir invenções que trouxessem benefícios para a humanidade.

Muita guerra, muita tecnologia: cadê o homem?

O que o homem não conseguiu nos 100 mil anos de sua existência sobre a Terra, alguns países da Europa e os EUA conseguiram nos primeiros 50 anos do século XX. Máquinas novas, cidades de  concreto, TV, vacinas, automóvel, avião, foguete, domínio da energia atômica, informática...
No entanto o homem científico e a sociedade tecnológica não cumpriram uma promessa esperada: a melhoria da vida humana.
E sabe por quê? Porque junto com o conhecimento exato produzido pela ciência - quase uma deusa - veio um monte de bugigangas tecnológicas, que tinham por trás um projeto de dominação política e econômica. As guerras foram uma forma de reforçar essa dominação.

Afinal se percebeu que as certezas da ciência não serviam em nada à causa de uma sociedade mais humana. Os homens da década de 50 não poderiam pensar de outro modo:

"Que sujeito é este que domina as distâncias e se comunica em segundos e tem poder de explodir várias vezes este planeta e, contudo, não se conhece?".

O mundo (salvo umas privilegiadas exceções que tentavam impor-se como regras) caminhava para o caos, para o agravamento da dominação e do extermínio.
Poucas nações, poucos grupos dominavam quase toda a riqueza, os bens culturais e o poder político do mundo. Após as duas guerras mundiais, a fé do homem em si mesmo e na sua obra era decepcionante! A guerra destruira em pouco tempo agrupamentos humanos, realizações materiais e tesouros de arte que demoraram séculos para se constituir.

Inverter a História 

Alto lá! Os jovens e os pensadores dos anos 50 precisavam achar a ponta desse emaranhado, para ajudar a mudar o curso dessa história. Ao verem a triste situação do mundo e de si mesmos, eles se perguntavam: tanta busca, tanto sonho, tanto amor, tanto trabalho, para NADA?
Onde está o bem? Qual é a linha que o separa do mal? Haverá uma saída para evitar que esta aventura de viver não termine na morte com nossas próprias unhas?
Onde está a verdade: na ciência? no ser humano?
Uma certeza: a ciência não responde a tudo. Ela não é tão autônoma corno aparentava, mas está amarrada a um projeto de sociedade. Há de se buscar na Filosofia um conjunto coerente de respostas para o dilema de viver.
A Filosofia apareceu como uma nova paixão capaz de indicar novos caminhos. A sabedoria dos jovens pensadores angustiados percebia que a vida é incerta, é ambígua. Nada é como nos ensinavam os   velhos filmes de caubói, em que o chapéu do herói metido em brigas jamais cai, seu revólver jamais descarrega e ele sempre acaba dando um beijo (cinematográfico...) em sua noiva.
Hollywood punha divisórias na tela: de um lado ficava o índio, sempre traidor e ignorante; do outro, o branco, doce conquistador (de mulheres e terras alheias), acompanhado de crianças lourinhas e música romântica. O bem e a mentira eram claramente separados. O progresso sempre estava ao lado da ciência. enquanto outras dimensões humanas eram classificadas de bruxaria, e por isso olhadas com surpresa.
Não é isso que acontece na vida real.
Dentro de cada indivíduo e na trama da sociedade, a realidade é ambígua: o bem e o mal andam de mãos dadas, misturam-se. Ora odiamos, ora amamos. (veja a música "Metamorfose ambulante", de Raul Seixas).
O mesmo bandido que rouba latifundiários tem bons sentimentos com as crianças, e o justiceiro louro, montado em seu cavalo idem, pode ser mesquinho com seus pais e ter medo de quarto escuro.
Quem está com a verdade? Quem está com a mentira?(O que você acha?)

O gosto pela evidência e o sentido da ambigüidade  

A realidade humana é cheia de contradições: a própria vida está cheinha de morte, e seus poros transpiram dores:

"A hora do encontro é também despedida
chegar e partir são dois lados da mesma viagem
o trem que chega é o mesmo trem da partida
a plataforma desta estação é a vida. "(Milton Nascimento)

Apenas um bisturi mental é capaz de separar a verdade da falsidade ou o belo do feio. Essa cirurgia é feita utilizando-se o pensamento. Cada um de nós pode entender com clareza o que é bem e o que é mal. Só que isso não basta.
Viver é diferente de entender!
Na primeira metade do nosso século, os filósofos ainda estavam preocupados em separar o certo do errado, em classificar quem era sujeito e quem era objeto: "Há diferença entre o eu que pensa e as coisas exteriores ao pensamento?". Esses pensadores foram atraídos pela clareza e buscaram iluminar a existência humana.
Mas logo a existência se manifestou escorregadia: ela escapa de cada rede que a razão lança sobre ela para capturá-la e estudá-la.
 Enterrado nos escombros de um mundo que desabou, para o angustiado homem do pós-guerra desvendar a vida humana transformou-se num questão de sobrevivência.
É por isso que os existencialistas, filósofos por excelência dos anos 50, se definiram como aqueles que têm "o gosto pela evidência e o senso da ambigüidade". Daqui para frente vamos falar de um homem assim: angustiado. Nele você certamente encontrará muito do conhecimento de cada um de nós, do nosso tempo e do nosso mundo.

A filosofia existencialista do século XX é influenciada por precursores como Kierkegaard, Nietzsche, Husserl, que também tiveram uma preocupação pela existência, pelo vivido.

Não há propriamente o existencialismo, como se fosse uma escola filosófica definida. É mais correto falar-se em "clima existencialista" já que cada pensador dessa corrente tem uma abordagem original.

 Mas há um núcleo de preocupações e temas fundamentais, comuns à maioria dos existencialistas:

·        a razão humana é impotente para resolver todos os problemas da existência;
·        o homem está sempre se fazendo e refazendo;
·        o ser humano é frágil;
·        a realidade nos aliena, nos toma estranhos a nós mesmos;
·        a morte é uma presença constante na vida;
·        não se pode fugir da solidão;
·        a existência é um mistério;
·        o Nada provoca o ser humano a avançar.

Antes de serem uma filosofia do mundo, ou das coisas, as idéias existencialistas pretendem ser uma filosofia do homem. Não são reflexão de um homem perfeitamente organizado, ideal, passível de ser analisado e compreendido. Trata-se de uma filosofia de um homem misterioso, surpreendente, dilacerado por contradições insolúveis.

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Existencialismo

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C.E.P. COSTA E SILVA
FILOSOFIA – 2ª SÉRIE / IV UNIDADE
PROF. RAYMUNDO GOUVEIA

EXISTENCIALISMO

O homem está condenado a ser livre

Existencialismo é um conjunto de doutrinas filosóficas que tiveram como tema central a análise do homem em sua relação com o mundo, em oposição a filosofias tradicionais que idealizaram a condição humana.

É também um fenômeno cultural, que teve seu apogeu na França do pós-guerra até meados da década de 1960, e que envolvia estilo de vida, moda, artes e ativismo político. Como movimento popular, o existencialismo iria influenciar também a música jovem a partir dos anos 1970.

Apesar de sua fama de pessimista, o existencialismo, na verdade, é apenas uma filosofia que não faz concessões: coloca sobre o homem toda a responsabilidade por suas ações.

O escritor, filósofo e dramaturgo francês Jean-Paul Sartre (1905-1980), maior expoente da filosofia existencialista, parte do seguinte princípio: a existência precede a essência. Com isso, quer dizer que o homem primeiro existe no mundo - e depois se realiza, se define por meio de suas ações e pelo que faz com sua vida.

Assim, os existencialistas negam que haja algo como uma natureza humana - uma essência universal que cada indivíduo compartilhasse -, ou que esta essência fosse um atributo de Deus. Portanto, para um existencialista, não é justo dizer "sou assim porque é da minha natureza" ou "ele é assim porque Deus quer”.

Ao contrário, se a existência precede a essência, não há nenhuma natureza humana ou Deus que nos defina como homens. Primeiro existimos, e só depois constituímos a essência por intermédio de nossas ações no mundo. O existencialismo, desta forma, coloca no homem a total responsabilidade por aquilo que ele é.

Somos os responsáveis por nossa existência
Se o homem primeiro existe e depois se faz por suas ações, ele é um projeto - é aquele que se lança no futuro, nas suas possibilidades de realização. O que isso quer dizer?

Eu não escolho nascer no Brasil ou nos EUA, pobre ou rico, branco ou preto, saudável ou doente: sou "jogado" no mundo. Existo. Mas o que eu faço de minha vida, o significado que dou à minha existência, é parte da liberdade da qual não posso me furtar. Posso ser escritor, poeta ou músico. No entanto, se sou bancário, esta é minha escolha, é parte do projeto que eliminou todas as outras possibilidades (escritor, poeta, músico) e concretizou uma única (bancário).

E, além disso, tenho total responsabilidade por 

aquilo que sou. Para o existencialista, não há desculpas. Não há Deus ou natureza a quem culpar por nosso fracasso. A
liberdade é incondicional e é isso que Sartre quer dizer quando afirma que estamos condenados a sermos livres: "Condenado porque não se criou a si próprio; e, no entanto, livre, porque uma vez lançado ao mundo, é responsável
por tudo quanto fizer". Portanto, para um existencialista, o homem é condenado a se fazer homem, a cada instante de sua vida, pelo conjunto das decisões que adota no dia-a-dia.

"Tive que cuidar dos filhos, por isso não pude fazer um curso universitário." "Não me casei porque não encontrei o verdadeiro amor." "Seria um grande ator, mas nunca me deram uma oportunidade de mostrar meu talento." Para Sartre, nada disso serve de consolo e não podemos responsabilizar ninguém pelo que fizemos de nossa existência. O que determina quem somos são as ações realizadas, não aquilo que poderíamos ser. A genialidade de Cazuza ou Renato Russo, por exemplo, é o que eles deixaram em suas obras, nada além disso.

O peso e a importância da liberdade
Mas ao escolher a si próprio, a sua existência, o homem escolhe por toda a humanidade, isto é, sua escolha tem um alcance universal. João é casado e tem três filhos: fez uma opção pela monogamia e a família tradicional. Já seu amigo José é filiado a um partido político e vai para o trabalho de bicicleta: acha correta a participação política e se preocupa com o meio ambiente. As escolhas de José e João têm um valor universal. Ao fazer algo, deveríamos nos perguntar: e se todos agissem da mesma forma, o mundo seria um lugar melhor de se viver?

E é por esta razão que o viver é sempre acompanhado de angústia. Quando escolhemos um caminho, damos preferência a uma dentre diversas possibilidades colocadas à nossa frente. Seguimos o caminho que julgamos ser o melhor, para toda humanidade.

Fugir deste compromisso é disfarçar a angústia e enganar sua própria consciência. É agir de má-fé, segundo Sartre. Neste caso, abro mão de minha responsabilidade. Digo: "Ah... nem todo mundo faz assim!", ou então delego a responsabilidade de meus atos à sociedade, às pessoas de meu convívio familiar e profissional ou a um momento de ira ou paixão. No entanto, para os existencialistas, esta é uma vida inautêntica.

À primeira vista, o peso da liberdade depositado no homem pelos filósofos existencialistas pode parecer excessivamente pessimista, fatalista, de uma solidão extrema no íntimo de nossas decisões. Mas, ao contrário, o existencialista coloca o futuro em nossas mãos, nos dá total autonomia moral, política e existencial, além da responsabilidade por nossos atos. Crescer, portanto, não é tarefa das mais fáceis.

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