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quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Revisão para prova de Filosofia

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COLÉGIO ESTADUAL PRESIDENTE COSTA E SILVA
DISCIPLINA – FILOSOFIA
PROF. RAYMUNDO GOUVEIA

FOLHA DE ESTUDO – REVISÃO PARA A PROVA – IV UNIDADE – 3º ANO
·        Estética é a tradução em português da palavra grega “aesthesis”. Grosso modo significa “conhecimento sensorial”, experiência”, “sensibilidade”; “Arte” deriva do latim “ars”, que equivale ao grego “techne” (técnica) e se refere à toda atividade humana sujeita a regras; “Poética” é a tradução do grego “poiesis”, significando “fabricação”.
·        Somente no século XVIII por intermédio de Alexander Baumgarten, o termo “Estética” passou a se referir às artes.
·        Na atualidade, o termo “estética” adquiriu um sentido popular e, em geral, encontra-se relacionado aos recursos utilizados nas clínicas de beleza, consultórios de cirurgia plástica, academias de ginástica, etc. De certo modo, há uma relação com o conceito clássico (filosófico) do termo, porém, com um sentido mais restrito.
·        Em geral, considera-se que o artista tem uma concepção de mundo, um “olhar as coisas” diferente do cientista. Este tem uma visão mais objetiva, pragmática (prática) do mundo; aquele enxerga as coisas com os “olhos da alma”, de modo mais sensível, emocional.
·        Platão defendia a ideia de que a beleza das coisas dependia de sua relação com uma “Beleza Superior”, divina; Aristóteles afirmava que as coisas possuíam em si mesmas propriedades que, de modo mais harmônico ou menos harmônico, faziam-nas mais belas ou menos belas. Apesar de haver diferentes modos de analisar a questão estética, sabemos que o “belo” e o “feio” são conceitos universais, no sentido de ser aquilo que agrada, aquilo que afeta de modo positivo (o belo) e aquilo que desagrada, que provoca repulsa (o feio). Entretanto, atribuir “beleza” ou “feiúra” a algo depende de diversos fatores relacionados ao espaço, ao tempo, à cultura, à educação, à sociedade onde se vive, à moda, etc.
·        A forma mais antiga (clássica) de concepção da arte (e do artista) vê esta atividade como um processo de imitação (a arte imita a vida; o artista apenas reproduz o que há na natureza); somente durante o período do Romantismo (a partir do século XVIII, mais ou menos) a arte passou a ser concebida como criação e o artista passou a ser visto como um gênio criador. Nos dias atuais, a atividade artística é concebida como expressão e construção: o artista é um indivíduo que interpreta a realidade e expressa o seu estar-no-mundo através da obra de arte; ele é uma espécie de tradutor da realidade e ao mesmo tempo construtor da realidade.
·     Arte e técnica mantêm, na atualidade, uma relação de interdependência. Hoje, a obra de arte não é algo destinado apenas à pura contemplação: verdadeiras obras de arte são criadas com o intuito de interferir na realidade. Prédios são construídos para, além de serem funcionais, “inteligentes”, interagir com a paisagem, com o meio ambiente. Móveis são desenhados para, além do conforto, proporcionar ao usuário um “visual” agradável e assim por diante.
·     Arte e tecnologia, na atualidade, têm sua relação cada vez mais aprofundada: no cinema, a tecnologia 3D aliada aos recursos de áudio fazem o espectador se sentir dentro da cena; o “design” gráfico é um dos cursos mais procurados pelos jovens; já é possível gerar uma imagem tridimensional, produzir um vídeo, reproduzir o som de um instrumento musical (ou de uma orquestra inteira) a partir de um “simples” laptop, no quarto de nossas casas.

OBS. NÃO DEIXEM DE FAZER A LEITURA DAS APOSTILAS.
  
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segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Metáfora - Gilberto Gil

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Metáfora - Gilberto Gil

Uma lata existe para conter algo,
Mas quando o poeta diz lata
Pode estar querendo dizer o incontível
Uma meta existe para ser um alvo,
Mas quando o poeta diz meta
Pode estar querendo dizer o inatingível

Por isso não se meta a exigir do poeta
Que determine o conteúdo em sua lata
Na lata do poeta tudo-nada cabe,
Pois ao poeta cabe fazer
Com que na lata venha caber
O incabível

Deixe a meta do poeta, não discuta,
Deixe a sua meta fora da disputa
Meta dentro e fora, lata absoluta
Deixe-a simplesmente metáfora



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QUESTÕES TEXTO 1:

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Pessoal,
 
Estou (re)enviando o primeiro texto trabalhado em classe e a letra da canção "Metáfora", além das questões relativas aos textos em estudo.
Repassem aos colegas e/ou postem nos blogs, comunidades, etc.
Abraço,
Gouveia
 
QUESTÕES TEXTO 1:
 
1. Em que sentido a palavra "Estética" é utilizada em nosso cotidiano? A que áreas profissionais o termo está relacionado?
2. A concepção de Platão sobre a "estética" está relacionada a uma concepção ética, a certos valores de natureza moral. Retire do texto o trecho que evidencia esta relação.
3. Em que sentido a concepção de "estética" de Aristóteles é mais realista/objetiva do que a concepção de Platão?
4. Considerando as concepções de Platão e Aristóteles, na sua opinião a beleza está nas coisas em si mesmas ou depende da visão do observador? Justifique sua resposta.
 
 
QUESTÕES TEXTO "METÁFORA"
 
1. O que diferencia a visão do artista (poeta) da visão do homem comum em relação à realidade?
2. Nossa sociedade se caracteriza pela necessidade de atingir metas (econômicas, profissionais, políticas, etc.) Como o texto aborda a questão das metas?
3. Faça uma comparação entre o texto da canção "Metáfora" e alguma  música do chamado "pagode baiano". Considere o conteúdo (tema) e a forma.
 
 
QUESTÕES TEXTO SOBRE A ARTE (OBS. O TEXTO SERÁ ENVIADO ATÉ SEXTA-FEIRA, 21.10, SOMENTE PARA O NOTURNO. AS DEMAIS TURMAS TRABALHARÃO O TEXTO NA BIBLIOTECA, NO HORÁRIO DAS AULAS E, POSTERIORMENTE, RECEBERÃO O TEXTO VIA INTERNET)
 
1. Qual a origem da palavra "arte" e o que o termo significa?
2. O que vem a ser a arte em seu sentido geral?
3. Qual a diferença estabelecida no texto entre o técnico e o artista?
4. Qual a relação entre a arte e a realidade?
5. Qual o papel da técnica/tecnologia na arte, hoje?
6.Qual a diferença entre as obras de arte e os objetos técnicos produzidos na atualidade?

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TEXTO III – ARTE, FILOSOFIA E CULTURA (I)

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COLÉGIO ESTADUAL PRESIDENTE COSTA E SILVA
DISCIPLINA – FILOSOFIA
PROF. RAYMUNDO GOUVEIA
SÉRIE - 3ª / IV UNIDADE
TEXTO III – ARTE, FILOSOFIA E CULTURA (I)

Profª Marilena Chauí (texto adaptado)

A arte está presente em nosso cotidiano e, muitas vezes, na pressa da vida diária, na eterna luta do homem contra o relógio nem a percebemos. Desde as mais primitivas pinturas nas cavernas, passando pela arquitetura das estruturas construídas nas primeiras civilizações e pelos afrescos pintados nas Igrejas durante a Idade Média até as atuais obras resultantes da utilização da tecnologia, a arte é parte da nossa vida e da nossa história.

A palavra arte vem do latim ars e corresponde ao termo grego techne, técnica, significando: o que é ordenado ou toda espécie de atividade humana submetida a regras. Em sentido lato, significa habilidade, desteridade, agilidade. Em sentido estrito, instrumento, ofício ciência. Seu campo semântico se define por oposição ao acaso, ao espontâneo, e ao natural. Por isso, em seu sentido geral, arte é um conjunto de regras para dirigir uma atividade humana qualquer.

Platão não distinguia a arte das ciências nem da filosofia, uma vez que todas são atividades humanas ordenadas e regradas.

Diversas classificações a respeito da arte foram pensadas ao longo do tempo. Aqui não nos cabe estudá-las devido à escassez de tempo. Entretanto, é importante ressaltar que a divisão entre artes da utilidade e artes da beleza acarretou uma separação entre técnica (o útil) e arte (o belo), levando à imagem da arte como ação individual espontânea, vinda da sensibilidade e da fantasia do artista como gênio criador.

Enquanto o técnico é visto como aplicador de regras e receitas vindas da tradição ou da ciência, o artista é visto como dotado de inspiração, entendida como uma espécie de iluminação interior e espiritual misteriosa, que leva o gênio a criar a obra.

A relação entre a arte e a técnica leva-nos a analisar outro aspecto interessante: a relação existente entre a arte e a realidade. Particularmente no século XX, a idéia









de beleza passa a estar subordinada à idéia de verdade, ou seja, a obra de arte passa a buscar caminhos de acesso ao real e de expressão da verdade. Em outras palavras, as artes não pretendem imitar a realidade, nem pretendem ser ilusões sobre a realidade, mas exprimir por meios artísticos a própria realidade.

Na atualidade, a relação entre a tecnologia e a arte é cada vez mais profunda; as fronteiras entre ambas praticamente não existem, pelo contrário: já não se imagina, por exemplo, um filme no cinema sem a tecnologia 3D ou, de maneira mais geral, não se imagina a possibilidade de fotos, filmes, discos, vídeos, cenários e iluminação teatral sem a utilização de equipamentos técnicos de alta qualidade e precisão. Assim, a tecnologia é cada vez mais presente na produção de obras de arte.

Em nossa sociedade industrial, ainda é possível distinguir as obras de arte e os objetos técnicos produzidos a partir do design e da preocupação de serem belos. A diferença está em que a finalidade desses objetos é funcional, isto é, os materiais e as formas estão subordinados à função que devem preencher (uma cadeira deve ser confortável para sentar; um automóvel, adequado para locomoção, etc.) Da obra de arte, porém , não se espera nem se exige funcionalidade, havendo nela plena liberdade para lidar com formas e materiais.

 ESTÉTICA E FILOSOFIA

Do ponto de vista da Filosofia, podemos falar em dois grandes momentos da teorização da arte. No primeiro, inaugurado por Platão e Aristóteles, a filosofia trata as artes sob a forma da poética; no segundo, a partir do século XVIII, sob a forma da estética.

Arte poética é o nome de uma obra aristotélica sobre as artes da fala e da escrita, do canto e da dança: a poesia e o teatro (tragédia e comédia). A palavra poética é a tradução para poiesis (fabricação). A arte poética estuda as obras de arte como fabricação de seres e gestos artificiais, isto é, produzidos pelos seres humanos.


Estética é a tradução da palavra grega  aesthesis, que significa conhecimento sensorial, experiência, sensibilidade. Foi empregada pela primeira vez para referir-se às artes pelo alemão Alexander Baumgarten, por volta de 1750. Em seu uso inicial referia-se às obras de arte enquanto criações da sensibilidade, tendo por finalidade o belo. Pouco a pouco substituiu a noção de arte poética e passou a designar toda investigação filosófica que tenha por objeto as artes ou uma arte. Do lado do artista e da obra, busca-se a realização da beleza; do lado do espectador e receptor, busca-se a reação sob a forma do juízo de gosto, do bom gosto.

A noção de estética, quando formulada e desenvolvida nos séculos XVIII e XIX, pressupunha:

a.      Que a arte é produto da sensibilidade, da imaginação e da inspiração do artista e que sua finalidade é a contemplação;
b.      Que a contemplação, do lado do artista, é a busca do belo (e não do útil, do agradável ou do prazeroso) e, do lado do público, é a avaliação ou o julgamento do valor de beleza atingido pela obra;
c.       Que o belo é diferente do verdadeiro

Assim, a obra de arte, em sua particularidade e singularidade única, oferece algo universal – a beleza – sem necessidade de demonstrações, provas, conceitos etc. (o que é necessário para se chegar à verdade).

Desde o início do século XX as artes passaram a ser vistas sob uma perspectiva mais ampla, considerando a expressão de emoções e desejos, a interpretação e a crítica da realidade social, a atividade criadora de procedimentos inéditos para a invenção de objetos artísticos, etc. Partindo dessa nova perspectiva, a estética ou filosofia da arte passou a apresentar três núcleos principais de investigação: a relação entre arte e Natureza, arte e humano, e finalidades-funções da arte.

Arte e Natureza

A primeira e mais antiga relação entre arte e Natureza proposta pela filosofia foi a da imitação: “a arte imita a natureza”, escreve Aristóteles. A obra de arte resulta da atividade do artista para imitar outros seres por meio de sons, sentimentos, cores, formas volumes, etc., e o valor da obra decorre da habilidade do artista para encontrar materiais e formas adequados para obter o efeito imitativo. Imitação, aqui, refere-se evidentemente à representação da realidade através da fantasia e da obediência a regras para que a obra represente algum ser, algum sentimento, emoção, fato, de maneira harmônica e proporcional.

A partir do Romantismo, (portanto, após quase 23 séculos de definição da arte como imitação), a filosofia passa a definir a obra de arte como criação. Enquanto na concepção anterior o valor era buscado na qualidade do objeto imitado, agora o valor é localizado na figura do artista como gênio criador e imaginação criadora. Agora, a ideia de inspiração torna-se explicadora da atividade artística: o artista recebe uma espécie de sopro sobrenatural que o impele a criar a obra. Esta deve exprimir sentimentos e emoções muito mais do que representar a realidade. A obra passa a ser considerada a exteriorização do gênio excepcional do artista.

Na atualidade, concebe-se a arte como expressão e construção. A obra de arte não é pura receptividade imitativa ou reprodutiva, nem pura criatividade espontânea e livre, mas expressão de um sentido novo, um processo de construção do objeto artístico, em que o artista colabora com a Natureza, luta com ela ou contra ela, separa-se dela ou volta a ela, vence a resistência dela ou dobra-se às exigências dela.

Neste sentido, o artista é um ser social que busca exprimir o seu modo de estar no mundo na companhia dos outros seres humanos, reflete sobre a sociedade, volta-se para ela, seja para criticá-la, seja para afirmá-la, seja para superá-la

Essa nova concepção corresponde ao momento da sociedade industrial, da técnica transformada em tecnologia e da ciência como construção rigorosa da realidade.

Essa terceira concepção filosófica da arte coloca o artista num embate contínuo com a Natureza e com a sociedade, deixando de vê-lo como gênio criador solitário e excepcional.




QUESTÕES PROPOSTAS:

BLOCO 1

1. Qual a origem da palavra "arte" e o que o termo significa?

2. O que vem a ser a arte em seu sentido geral?

3. Qual a diferença estabelecida no texto entre o técnico e o artista?

4. Qual a relação entre a arte e a realidade?

5. Qual o papel da técnica/tecnologia na arte, hoje?

6. Qual a diferença entre as obras de arte e os objetos técnicos produzidos na atualidade?

BLOCO 2


1.       Qual o significado da palavra “estética”? Quando e por quem o termo foi utilizado pela primeira vez?

2.       Quais os pressupostos da noção de estética formulada nos séculos XVIII e XIX?

3.       Quais os três núcleos principais de investigação da estética ou filosofia da arte?

4.       Qual a diferença entre a concepção aristotélica e a concepção romântica sobre a relação entre arte e Natureza?

5.       De que modo o artista é considerado dentro do pensamento contemporâneo?

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quinta-feira, 13 de outubro de 2011

ESTÉTICA – texto introdutório – (adaptado)

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 C.E.P.COSTA E SILVA

DISCIPLINA – FILOSOFIA
PROF. RAYMUNDO GOUVEIA
IV UNIDADE – 2011

ESTÉTICA – texto introdutório – (adaptado)

Profª Nivaldete Ferreira

Este texto tem a intenção de familiarizar você com os estudos estéticos de uma forma simples, didática e até descontraída, pois a experiência me mostrou que não são poucos os alunos/as que acham essa área de conhecimento pouco ou nada simpática, ‘sem ligação com a existência’, ‘sem sentido prático’ ou, se não exagero, assemelhada a uma linguagem esotérica.

Penso que isso se deve, em parte, à expectativa que muitos têm quando buscam os cursos relacionados a esta área de conhecimento (Artes, Design, Moda, etc.): esperam desenvolver atividades artísticas logo no primeiro dia de aula. Mas, o estudo da Estética exige um somatório de conhecimentos que não podem excluir os conteúdos teóricos, históricos, metodológicos, filosóficos e outros. O sentido prático de tudo está claro: você será melhor professor(a) ou mesmo melhor artista - se depois, ou simultaneamente, assim quiser fazer também- e até melhor cidadão/ã se conhecer a história da arte, das idéias estéticas, do ensino de arte, se estudar a cultura em geral e a formação/construção cultural do seu país. Então deixe de lado as resistências, mantenha a sua mente disponível e aberta, assuma a sua condição de estudioso/a, evite se resguardar em opiniões pré-concebidas. Sobretudo não se intimide se esse conhecimento é inteiramente novo para você. Não é obrigação sua já trazer noções ‘acadêmicas’ sobre o assunto. Veja tudo isso como isso é: idéias. E seja um/a produtor/a de idéias também, um/a criador/a. Atreva-se, como aconselha Nietzsche. Afinal, conhecimento não deve significar colonização mental... Temos de partir de algum ponto, sim, ir a outros, mas o ponto mais importante pode ser você, seu pensamento, suas interpelações, sua disposição de construir conhecimento.

 2. O uso popular da palavra ‘estética’
Vou contar uma história (verídica).

Na primeira aula de Estética, num semestre letivo que já não lembro qual, uma aluna aproximou-se de mim quando eu me arrumava para sair e comentou: -Ah, professora, pensei que a senhora ia ensinar a gente a decorar a casa...

O ar de decepção era visível. Ela esperava tudo, menos que eu falasse de conceitos acerca da arte. Não estranhei. O que acontece é isto: a palavra ‘estética’ aparece nas fachadas dos salões de cabeleireiros e massagistas. E é comum se dizer de um texto escrito ‘mal formatado’ que ele está sem estética... E há aquela história do novo-rico que encomenda um quadro que combine com o sofá... E já ouvi pedreiros dizerem ‘aquela casa não tem estética’... Agora imagine uma mulher usando uma blusa roxa estampada, uma saia vermelha de listras amarelas, um sapato branco, uma bolsa verde e... mais um lenço azul de bolinhas pretas. –Que horror!, é provável que você diga. Nada combina com nada! Tudo desarmônico! Nenhuma ‘estética’!... Ou talvez você queira fotografá-la como um ícone da pós-modernidade... Ou...

No primeiro caso, você estaria se regendo pelo princípio do equilíbrio, da harmonia, da ‘beleza’, o mesmo que gerou a apropriação da palavra ‘estética’ pelos salões onde se cuida do corpo (‘tenha um corpo harmônico, experimente nossa estética facial, malhe’, etc) ou nos cursos de decoração de ambientes. Vamos tratar essa apropriação como ‘indébita’?... Não, não há nenhum crime nisso. Trata-se apenas de um uso popular do termo, de uma adequação às necessidades de comunicação num determinado universo de trabalho, e nem todos, no Brasil, têm acesso ao conhecimento formal nesse campo (há milhões de analfabetos aqui, o que é bem pior...).

3. Estética filosófica

Mas, para o nosso interesse enquanto estudantes, professores, pesquisadores e outros interessados, é preciso esclarecer, de saída, que Estética corresponde a um campo de estudos sobre a arte. É filha, por assim dizer, da filosofia grega, para nós ocidentais, e para destacar esse campo de estudo do emprego usual/mercantil da palavra, vamos chamá-la como ‘filosófica’. Agora você percebeu a conveniência da denominação...

A estética filosófica está sempre ligada às concepções de mundo, de ser humano, aos valores de cada pensador, ao contexto histórico. Vincula-se, portanto, à história das idéias também. Platão (428/27 a.C.-347 a.C), por exemplo, identificava o belo com a justiça e a honestidade. Para ele, “as ações, enquanto tais, não são com efeito nem boas nem más” (PLATÃO, 1968, p. 52). Elas se tornam belas a partir do modo como as executamos, seja dançar, beber, comer, cantar... Defendia “que a beleza de um objeto depende da maior ou menor comunicação que ele tem com uma Beleza superior, absoluta, divina, única Beleza verdadeira, que subsiste, por si só, no mundo supra-sensível das Essências” (SUASSUNA, 1975, p. 27). Em outro momento, no livro A República (onde ele escreve sobre a cidade ideal, utópica), ele reconhece a grandeza de Homero enquanto poeta, mas recomenda que o poeta não participe da cidade, pois representa um perigo de desestabilização da comunidade, por força mesmo das poderosas imagens verbais que elabora. Por seu turno, Aristóteles (384 a.C.-322 a.C.) considerava, “logo depois, que a beleza do objeto depende da ordem ou harmonia que existe entre suas partes” (id. ibid.).

Fica evidente que cada um estava movido por concepções diferentes – um, idealista, espiritualista, temeroso de que a poesia trepidasse a sonhada uniformidade psíquica da sua comunidade ideal (A República representa essa comunidade); outro, bem mais objetivo, concebendo a beleza como uma propriedade do objeto, e essa propriedade se relaciona com o princípio da harmonia, da justa medida, do que está em acordo, ordenado (o que será que ele diria da mulher referida acima?)

 Algumas questões:

-Você acha que a concepção aristotélica foi completamente esquecida nos dias de hoje pelos artistas e professores de arte?

-Por que será que muitas crianças dizem “não sei desenhar” e até sentem ‘vergonha’ de mostrar seus desenhos aos adultos?

Muitos foram os pensadores que, depois de Platão e Aristóteles, se dedicaram a especulações em torno da arte. O assunto é inesgotável e até hoje gera teses, artigos, livros... Isso é perturbador?... Deixa você desanimado/a? Você gostaria de ter respostas firmes e decisivas?...

Penso que (quase) todos querem encontrar essas respostas, em todas as áreas do conhecimento, mas se as investigações e as especulações pararem onde estão, o conhecimento fica estagnado. A todo momento há teorias sendo complementadas, negadas, criadas. Aristóteles deve ter se inspirado no idealismo de Platão para propor uma concepção mais realista sobre o que faz a beleza de um objeto. E ambos são estudados até hoje... Você percebe, então, que o tempo das idéias às vezes é outro. É ontem e hoje.

Alguém disse assim: “A harmonia mais perfeita é semelhante a um monte de esterco feito ao acaso”. Terá sido João Gordo?... Caetano Veloso? Arnaldo Jabor?... Bem poderia ter sido um deles, mas foi um homem que viveu entre os séculos VI e V a.C., chamado Heráclito de Éfeso (pré-socrático). Não parece uma expressão de hoje?... Então vamos ter cuidado para não superestimar nem subestimar os do passado. Valem as ideias (ou não)... E mesmo que consideremos algumas extravagantes ou absurdas, é da história das ideias que estamos tomando conhecimento. E foram as transformações dessas ideias e a emergência de outras que nos colocaram aqui, numa aula sobre Estética.

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